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SUMMARY:JUSTIÇA PARA CLÁUDIA SIMÕES! | Tribunal de Sintra 
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DESCRIPTION:ATENÇÃO: ADIADO PARA 8 de NOVEMBRO\n\nO caso de violência polic
	ial sob Cláudia Simões está em julgamento e a primeira\nsessão é já:\n\n8 
	de NOVEMBRO - Tribunal de Sintra\n\nJUSTIÇA PARA CLÁUDIA SIMÕES!\n\nSOLIDA
	RIEDADE COM TODAS AS VÍTIMAS DA VIOLÊNCIA POLICIAL RACISTA!\n\nARTIGO DO A
	FRO LINK:\nhttps://afrolink.pt/justica-para-claudia-simoes-e-todas-as-viti
	mas-da-violencia-policial-racista/\n[https://afrolink.pt/justica-para-clau
	dia-simoes-e-todas-as-vitimas-da-violencia-policial-racista/]\nO julgament
	o das agressões a Cláudia Simões\, que tem como arguidos os agentes da\nPS
	P Carlos Canha\, João Gouveia e Fernando Rodrigues\, arranca na próxima\nq
	uarta-feira\, 13 de Setembro\, às 13h30\, no Juízo Central Criminal de Sin
	tra. O\nAfrolink recorda o caso\, e apela à mobilização de todas as pessoa
	s: quem puder\,\nmarque presença em tribunal\, em solidariedade com a Claú
	dia e todas a vítimas da\nviolência policial racista. Exigimos Justiça!\n\
	npor Afrolink\n\nOfensa à integridade física qualificada\, sequestro agrav
	ado\, abuso de poder e\ninjúria agravada. Estes são os crimes pelos quais 
	agentes da PSP acusados de\nagredir Claúdia Simões vão ser levados a tribu
	nal.\n\nA decisão da juíza de instrução do Tribunal da Amadora\, conhecida
	 na semana\npassada\, surge mais de dois anos depois de o caso se ter torn
	ado público\, a\npartir de um vídeo partilhado nas redes sociais.\n\nNessa
	s imagens\, vê-se o agente da PSP Carlos Canha a agredir Cláudia Simões\,\
	nnuma paragem de autocarros da Amadora\, acto que deveria merecer o repúdi
	o de\nqualquer ser humano\, e uma firme condenação da corporação.\n\nAs im
	agens do rosto desfigurado da sobrevivente\, que teve de receber tratament
	o\nhospitalar urgente depois de ser encaminhada para a esquadra do Casal d
	e São\nBrás\, deveriam acentuar esse repúdio e agravar essa condenação. Ma
	s\, aos olhos\ndo então responsável máximo da PSP\, Magina da Silva\, (ent
	retanto de saída da\ncorporação) o polícia limitou-se “a cumprir as suas o
	brigações e as normas que\nestão em vigor na PSP”.\n\nAs declarações do ex
	-director nacional da PSP\, de que não houve “qualquer\ninfracção” no víde
	o da detenção de Cláudia Simões\, foram proferidas pouco depois\nda agress
	ão\, e são bastante reveladoras das abordagens policiais – e criminosas\n–
	 utilizadas pelos agentes.\n\nAliás\, o Sindicato Unificado da Polícia de 
	Segurança Pública também não se\ncoibiu de comentar o caso\, desta feita a
	 partir do comportamento de Cláudia\nSimões que\, para se defender\, morde
	u o agente que a imobilizava. Num post\npublicado no Facebook\, e pouco de
	pois apagado\, a organização insinuava que\nCláudia Simões padecia de doen
	ça grave. “As melhoras ao colega e espero que as\nanálises sejam todas neg
	ativas a doenças graves. Contudo a defesa da cidadã está\na começar a ser 
	orquestrada pelo ódiomor [sic] de brancos”\, lia-se nesse post.\n\nEnquant
	o essa estrutura sindical exibia imagens dos arranhões e outras marcas\nal
	egadamente resultantes do suposto comportamento violento de Cláudia Simões
	 –\nque chegou a ser ouvida como arguida\, tendo sido\, entretanto\, iliba
	da –\, a mesma\nlidava com as dores – físicas e psicológicas – do encontro
	 com o agente Carlos\nCanha.\n\n“Face deformada por hematomas extensos”\n\
	n“O relatório de urgência do Hospital Fernando Fonseca (Amadora-Sintra)\, 
	onde\nCláudia Simões entrou a 19 de Janeiro às 22h18\, sinalizou-a como “m
	uito\nurgente”\, vítima de agressão\, com “face deformada por hematomas ex
	tensos””\,\ninforma o Público\, que\, em Outubro de 2021\, noticiava a int
	enção do Ministério\nPúblico (MP) de levar os agentes Carlos Canha\, João 
	Carlos Cardoso Neto Gouveia\ne Fernando Luís Pereira Rodrigues a julgament
	o por causa das agressões a Cláudia\nSimões.\n\n“Num despacho de acusação 
	de 30 de Setembro [2021]\, o MP acusa Carlos Canha dos\ncrimes de ofensa à
	 integridade física qualificada\, sequestro agravado\, abuso de\npoder e i
	njúria agravada contra Cláudia Simões. Aos outros dois agentes que\nestava
	m no carro aquando das alegadas agressões de Carlos Canha\, o MP acusa\,\n
	cada um deles\, de um crime de abuso de poder e de nada fazerem para imped
	ir que\nCanha agredisse Cláudia Simões”\, prosseguia o Público na notícia\
	, reproduzindo\nexcertos desse despacho.\n\nNo documento “o MP descreve qu
	e “no trajecto de cerca de 3km entre a R. Elias\nGarcia e a esquadra do Ca
	sal de S. Brás”\, para onde Cláudia Simões foi\nconduzida\, o arguido Carl
	os Canha\, “aproveitando-se do facto de a ofendida se\nencontrar algemada 
	e na impossibilidade de resistir\, logo que a viatura iniciou\na marcha”\,
	 disse-lhe: “Agora é que te vou mostrar\, sua p*\, sua preta do c*\, seu\n
	c*\, sua macaca.” Fazia-o “enquanto lhe desferia vários socos na cara”. Ao
	 mesmo\ntempo\, “e enquanto se tentava proteger\, baixando a cara para não
	 ser atingida”\,\no agente Carlos Canha dizia-lhe: “estás a baixar a cara\
	, c*” e “ainda por cima\nesta p* é rija”. Segundo o MP\, à saída da viatur
	a junto à esquadra\, Carlos Canha\ndesferiu também em Cláudia Simões “um p
	ontapé que a atingiu na testa”.\n\nImporta recordar que tudo começou por c
	ausa de um passe esquecido\, para não\nesquecermos que a violência policia
	l não precisa de pretexto.\n\nResta-nos esperar para saber se o contexto r
	acista das agressões vai ser\nreconhecido em tribunal\, lembrando que tamb
	ém existe um processo judicial contra\na Cláudia\, acusada de agredir o ag
	ente Carlos Canha. Uma decisão que repudiamos\,\nao encontro do que que se
	 dispõe na Carta Aberta “Criminalizar Vidas Negras para\nAbsolver o Sistem
	a”.\n[https://afrolink.pt/criminalizar-vidas-negras-para-absolver-o-sistem
	a-carta-aberta/]\n\nCriminalizar Vidas Negras para Absolver o Sistema – Ca
	rta Aberta\n\nAgredida em 2020 pelo agente da PSP Carlos Canha\, Cláudia S
	imões vai a\njulgamento não apenas como vítima\, mas como alegada agressor
	a. “Assim\, ao\ncontrário do que apurou o MP\, a história que vai a julgam
	ento não é aquela de\numa mulher negra\, agredida em frente à sua filha de
	 7 anos\, por um agente da\nPSP\, com formação em artes marciais\; mas a h
	istória de um motorista e de um\npolícia que percecionam esta mulher como 
	ameaça\, reificando o imaginário\nhistórico de uma mulher negra\, corpulen
	ta\, descontrolada\, agressiva –\nintimidante”\, lemos na Carta Aberta “Cr
	iminalizar Vidas Negras para Absolver o\nSistema”. O documento\, que o Afr
	olink subscreve\, mobiliza mais de 260\nsubscritores\, entre colectivos e 
	pessoas individuais\, unidos no mesmo repto:\n“Justiça para Cláudia Simões
	 e para todes es sobreviventes da violência\npolicial!”.\n\nCriminalizar V
	idas Negras para Absolver o Sistema\n\nNo passado dia 25 de janeiro\, três
	 anos volvidos sobre as agressões\, do agente\nda Polícia de Segurança Púb
	lica (PSP) Carlos Canha\, a Cláudia Simões\, o Tribunal\nda Relação de Lis
	boa decidiu pronunciar Cláudia Simões pela prática de um crime\nde ofensa 
	à integridade física qualificada. Isto é\, contrariando as decisões\nanter
	iores do Ministério Público (MP) e do Juiz de Instrução\, Cláudia Simões n
	ão\nirá a julgamento somente na qualidade de vítima\, mas também sob suspe
	ita de ter\nagredido o agente da PSP. Já Carlos Canha irá a julgamento por
	 oito crimes que\ncontemplam injúria e ofensas à integridade física agrava
	da\, sequestro e abuso de\npoder\, enquanto João Gouveia e Fernando Pereir
	a são acusados de um crime de\nabuso de poder\, pela omissão de auxílio à 
	vítima\, Claúdia Simões. Acrescente-se\nainda que\, nessa mesma noite\, no
	 interior da Esquadra do Casal de S. Brás\,\nCarlos Canha agrediria ainda 
	outras duas pessoas\, uma das quais havia filmado a\nagressão a Cláudia Si
	mões. Carlos Canha foi ainda\, mais recentemente\, citado na\nreportagem Q
	uando o Ódio Veste Farda (2022) por integrar uma base de dados de\n591 ele
	mentos das forças de segurança que alegadamente cometem crimes de ódio\nna
	s redes sociais.\n\nA decisão do Tribunal da Relação de Lisboa é\, em cert
	a medida\, inusitada\, já\nque\, ao que tudo indica\, preferiu ancorar-se 
	no testemunho de uma das pessoas\nagredidas na Esquadra obtido imediatamen
	te após as agressões\, do que nas\ndeclarações prestadas pelo mesmo\, mais
	 tarde\, ao MP\, à partida mais fidedignas\npor não terem sido prestadas n
	um contexto de possível coação. A acusação que\npende agora sobre Cláudia 
	Simões parece\, de algum modo\, legitimar a ideia de que\na violência a qu
	e todes assistimos foi\, afinal\, uma consequência dos seus atos.\nOu seja
	\, criminalizar a vítima parece servir para desculpabilizar o agressor\,\n
	trilhando um caminho para a absolvição pública e judicial do agente Carlos
	\nCanha\, mas sobretudo do sistema.\n\nAssim\, ao contrário do que apurou 
	o MP\, a história que vai a julgamento não é\naquela de uma mulher negra\,
	 agredida em frente à sua filha de 7 anos\, por um\nagente da PSP\, com fo
	rmação em artes marciais\; mas a história de um motorista e\nde um polícia
	 que percecionam esta mulher como ameaça\, reificando o imaginário\nhistór
	ico de uma mulher negra\, corpulenta\, descontrolada\, agressiva –\nintimi
	dante.\n\nO uso da “perceção de perigo” como argumento justificativo para 
	a violência\npolicial lembra-nos histórias recentes\, como o caso da Esqua
	dra de Alfragide.\nAí\, também a “perceção de perigo”\, da pretensa “invas
	ão de esquadra” por um\ngrupo de homens negros\, que terá sido sentida pel
	os polícias\, pesou para atenuar\na gravidade dos seus crimes/condenações\
	, como se de uma prova material se\ntratasse. E\, embora a condenação por 
	crimes graves tenha sido\, posteriormente\,\nconfirmada pela Relação\, os 
	agentes continuam inaceitavelmente em funções.\n\nO arrastar deste process
	o em recursos consecutivos parece ser uma tentativa de\nretirar a relevânc
	ia pública e política de um evento que chocou o país e que\nocorreu pouco 
	tempo antes da morte de George Floyd às mãos da polícia que\naplicou técni
	cas de imobilização semelhantes sob o pescoço. Pode-se igualmente\nesperar
	\, seja pela prática corrente dos tribunais portugueses\, seja pela postur
	a\nreiteradamente negacionista dos mais altos responsáveis da PSP e do Gov
	erno\, que\na dimensão racial que atravessa este caso nem venha a ver a lu
	z do dia.\n\nA agressão de Carlos Canha a Cláudia Simões não foi um ato is
	olado: as pessoas\nnegras e Roma/ciganas na periferia são institucionalmen
	te mais vigiadas e\nviolentadas pelo aparelho repressivo do Estado. A deci
	são do sistema de justiça\nsobre este caso não pode continuar a reproduzir
	 a impunidade da violência\npolicial contra pessoas racializadas.\n\nPor t
	udo isto\, cá estaremos – vigilantes\, atentes – com Cláudia Simões\, por\
	ntodes nós!\n\nJustiça para Cláudia Simões e para todes es sobreviventes d
	a violência policial!
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	unal-de-sintra
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X-ALT-DESC;FMTTYPE=text/html:<p>ATENÇÃO: ADIADO PARA 8 de NOVEMBRO</p><p>O 
	caso de violência policial sob Cláudia Simões está em julgamento e a prime
	ira sessão é já:</p><p>8 de NOVEMBRO -  Tribunal de Sintra</p><p>JUSTIÇA P
	ARA CLÁUDIA SIMÕES!</p><p>SOLIDARIEDADE COM TODAS AS VÍTIMAS DA VIOLÊNCIA 
	POLICIAL RACISTA!</p><p>ARTIGO DO AFRO LINK:<br><a target="_blank" href="h
	ttps://afrolink.pt/justica-para-claudia-simoes-e-todas-as-vitimas-da-viole
	ncia-policial-racista/">https://afrolink.pt/justica-para-claudia-simoes-e-
	todas-as-vitimas-da-violencia-policial-racista/</a><br><strong>O julgament
	o das agressões a Cláudia Simões, que tem como arguidos os agentes da PSP 
	Carlos Canha, João Gouveia e Fernando Rodrigues, arranca na próxima quarta
	-feira, 13 de Setembro, às 13h30, no Juízo Central Criminal de Sintra. O A
	frolink recorda o caso, e apela à mobilização de todas as pessoas: quem pu
	der, marque presença em tribunal, em solidariedade com a Claúdia e todas a
	 vítimas da violência policial racista. Exigimos Justiça!</strong></p><p><
	strong>por Afrolink</strong></p><p>Ofensa à integridade física qualificada
	, sequestro agravado, abuso de poder e injúria agravada. Estes são os crim
	es pelos quais agentes da PSP acusados de agredir Claúdia Simões vão ser l
	evados a tribunal.</p><p>A decisão da juíza de instrução do Tribunal da Am
	adora, conhecida na semana passada, surge mais de dois anos depois de o ca
	so se ter tornado público, a partir de um vídeo partilhado nas redes socia
	is.</p><p>Nessas imagens, vê-se o agente da PSP Carlos Canha a agredir Clá
	udia Simões, numa paragem de autocarros da Amadora, acto que deveria merec
	er o repúdio de qualquer ser humano, e uma firme condenação da corporação.
	</p><p>As imagens do rosto desfigurado da sobrevivente, que teve de recebe
	r tratamento hospitalar urgente depois de ser encaminhada para a esquadra 
	do Casal de São Brás, deveriam acentuar esse repúdio e agravar essa conden
	ação. Mas, aos olhos do então responsável máximo da PSP, Magina da Silva, 
	(entretanto de saída da corporação) o polícia limitou-se “a cumprir as sua
	s obrigações e as normas que estão em vigor na PSP”.</p><p>As declarações 
	do ex-director nacional da PSP, de que não houve “qualquer infracção” no v
	ídeo da detenção de Cláudia Simões, foram proferidas pouco depois da agres
	são, e são bastante reveladoras das abordagens policiais – e criminosas – 
	utilizadas pelos agentes.</p><p>Aliás, o Sindicato Unificado da Polícia de
	 Segurança Pública também não se coibiu de comentar o caso, desta feita a 
	partir do comportamento de Cláudia Simões que, para se defender, mordeu o 
	agente que a imobilizava. Num post publicado no Facebook, e pouco depois a
	pagado, a organização insinuava que Cláudia Simões padecia de doença grave
	. “As melhoras ao colega e espero que as análises sejam todas negativas a 
	doenças graves. Contudo a defesa da cidadã está a começar a ser orquestrad
	a pelo ódiomor [sic] de brancos”, lia-se nesse post.</p><p>Enquanto essa e
	strutura sindical exibia imagens dos arranhões e outras marcas alegadament
	e resultantes do suposto comportamento violento de Cláudia Simões – que ch
	egou a ser ouvida como arguida, tendo sido, entretanto, ilibada –, a mesma
	 lidava com as dores – físicas e psicológicas – do encontro com o agente C
	arlos Canha.</p><p><strong>“Face deformada por hematomas extensos”</strong
	></p><p>“O relatório de urgência do Hospital Fernando Fonseca (Amadora-Sin
	tra), onde Cláudia Simões entrou a 19 de Janeiro às 22h18, sinalizou-a com
	o “muito urgente”, vítima de agressão, com “face deformada por hematomas e
	xtensos””, informa o Público, que, em Outubro de 2021, noticiava a intençã
	o do Ministério Público (MP) de levar os agentes Carlos Canha, João Carlos
	 Cardoso Neto Gouveia e Fernando Luís Pereira Rodrigues a julgamento por c
	ausa das agressões a Cláudia Simões.</p><p>“Num despacho de acusação de 30
	 de Setembro [2021], o MP acusa Carlos Canha dos crimes de ofensa à integr
	idade física qualificada, sequestro agravado, abuso de poder e injúria agr
	avada contra Cláudia Simões. Aos outros dois agentes que estavam no carro 
	aquando das alegadas agressões de Carlos Canha, o MP acusa, cada um deles,
	 de um crime de abuso de poder e de nada fazerem para impedir que Canha ag
	redisse Cláudia Simões”, prosseguia o Público na notícia, reproduzindo exc
	ertos desse despacho.</p><p>No documento “o MP descreve que “no trajecto d
	e cerca de 3km entre a R. Elias Garcia e a esquadra do Casal de S. Brás”, 
	para onde Cláudia Simões foi conduzida, o arguido Carlos Canha, “aproveita
	ndo-se do facto de a ofendida se encontrar algemada e na impossibilidade d
	e resistir, logo que a viatura iniciou a marcha”, disse-lhe: “Agora é que 
	te vou mostrar, sua p*<strong>, sua preta do c</strong>*<strong>, seu c</s
	trong>*<strong>, sua macaca.” Fazia-o “enquanto lhe desferia vários socos 
	na cara”. Ao mesmo tempo, “e enquanto se tentava proteger, baixando a cara
	 para não ser atingida”, o agente Carlos Canha dizia-lhe: “estás a baixar 
	a cara, c</strong>*<strong>” e “ainda por cima esta p</strong>* é rija”. S
	egundo o MP, à saída da viatura junto à esquadra, Carlos Canha desferiu ta
	mbém em Cláudia Simões “um pontapé que a atingiu na testa”.</p><p>Importa 
	recordar que tudo começou por causa de um passe esquecido, para não esquec
	ermos que a violência policial não precisa de pretexto.</p><p>Resta-nos es
	perar para saber se o contexto racista das agressões vai ser reconhecido e
	m tribunal, lembrando que também existe um processo judicial contra a Cláu
	dia, acusada de agredir o agente Carlos Canha. Uma decisão que repudiamos,
	 ao encontro do que que se dispõe na<a target="_blank" href="https://afrol
	ink.pt/criminalizar-vidas-negras-para-absolver-o-sistema-carta-aberta/"><s
	trong>&nbsp;Carta Aberta “Criminalizar Vidas Negras para Absolver o Sistem
	a”.</strong></a></p><p>Criminalizar Vidas Negras para Absolver o Sistema –
	 Carta Aberta</p><p>Agredida em 2020 pelo agente da PSP Carlos Canha, Cláu
	dia Simões vai a julgamento não apenas como vítima, mas como alegada agres
	sora. “Assim, ao contrário do que apurou o MP, a história que vai a julgam
	ento não é aquela de uma mulher negra, agredida em frente à sua filha de 7
	 anos, por um agente da PSP, com formação em artes marciais; mas a históri
	a de um motorista e de um polícia que percecionam esta mulher como ameaça,
	 reificando o imaginário histórico de uma mulher negra, corpulenta, descon
	trolada, agressiva – intimidante”, lemos na Carta Aberta “Criminalizar Vid
	as Negras para Absolver o Sistema”. O documento, que o Afrolink subscreve,
	 mobiliza mais de 260 subscritores, entre colectivos e pessoas individuais
	, unidos no mesmo repto: “Justiça para Cláudia Simões e para todes es sobr
	eviventes da violência policial!”.</p><p>Criminalizar Vidas Negras para Ab
	solver o Sistema</p><p>No passado dia 25 de janeiro, três anos volvidos so
	bre as agressões, do agente da Polícia de Segurança Pública (PSP) Carlos C
	anha, a Cláudia Simões,&nbsp;o Tribunal da Relação de Lisboa&nbsp;decidiu 
	pronunciar Cláudia Simões pela prática de um crime de ofensa à integridade
	 física qualificada. Isto é, contrariando as decisões anteriores do Minist
	ério Público (MP) e do Juiz de Instrução, Cláudia Simões não irá a julgame
	nto somente na qualidade de vítima, mas também sob suspeita de ter agredid
	o o agente da PSP. Já Carlos Canha irá a julgamento por oito crimes que co
	ntemplam injúria e ofensas à integridade física agravada, sequestro e abus
	o de poder, enquanto João Gouveia e Fernando Pereira são acusados de um cr
	ime de abuso de poder, pela omissão de auxílio à vítima, Claúdia Simões. A
	crescente-se ainda que, nessa mesma noite, no interior da Esquadra do Casa
	l de S. Brás, Carlos Canha agrediria ainda outras duas pessoas, uma das qu
	ais havia filmado a agressão a Cláudia Simões. Carlos Canha foi ainda, mai
	s recentemente, citado na reportagem&nbsp;Quando o Ódio Veste Farda&nbsp;(
	2022) por integrar uma base de dados de 591 elementos das forças de segura
	nça que alegadamente cometem crimes de ódio nas redes sociais.</p><p>A dec
	isão do Tribunal da Relação de Lisboa é, em certa medida, inusitada, já qu
	e, ao que tudo indica, preferiu ancorar-se no testemunho de uma das pessoa
	s agredidas na Esquadra obtido imediatamente após as agressões, do que nas
	 declarações prestadas pelo mesmo, mais tarde, ao MP, à partida mais fided
	ignas por não terem sido prestadas num contexto de possível coação. A acus
	ação que pende agora sobre Cláudia Simões parece, de algum modo, legitimar
	 a ideia de que a violência a que todes assistimos foi, afinal, uma conseq
	uência dos seus atos. Ou seja, criminalizar a vítima parece servir para de
	sculpabilizar o agressor, trilhando um caminho para a absolvição pública e
	 judicial do agente Carlos Canha, mas sobretudo do sistema.</p><p>Assim, a
	o contrário do que apurou o MP,&nbsp;a história que vai a julgamento não é
	 aquela de uma mulher negra, agredida em frente à sua filha de 7 anos, por
	 um agente da PSP, com formação em artes marciais; mas a história de um mo
	torista e de um polícia que percecionam esta mulher como ameaça, reificand
	o o imaginário histórico de uma mulher negra, corpulenta, descontrolada, a
	gressiva – intimidante.</p><p>O uso da “perceção de perigo” como argumento
	 justificativo para a violência policial lembra-nos histórias recentes, co
	mo o caso da Esquadra de Alfragide. Aí, também a “perceção de perigo”, da 
	pretensa “invasão de esquadra” por um grupo de homens negros, que terá sid
	o sentida pelos polícias, pesou para atenuar a gravidade dos seus crimes/c
	ondenações, como se de uma prova material se tratasse. E, embora a condena
	ção por crimes graves tenha sido, posteriormente, confirmada pela Relação,
	 os agentes continuam inaceitavelmente em funções.</p><p>O arrastar deste 
	processo em recursos consecutivos parece ser uma tentativa de retirar a re
	levância pública e política de um evento que chocou o país e que ocorreu p
	ouco tempo antes da morte de George Floyd às mãos da polícia que aplicou t
	écnicas de imobilização semelhantes sob o pescoço. Pode-se igualmente espe
	rar, seja pela prática corrente dos tribunais portugueses, seja pela postu
	ra reiteradamente negacionista dos mais altos responsáveis da PSP e do Gov
	erno, que a dimensão racial que atravessa este caso nem venha a ver a luz 
	do dia.</p><p>A agressão de Carlos Canha a Cláudia Simões não foi um ato i
	solado: as pessoas negras e Roma/ciganas na periferia são institucionalmen
	te mais vigiadas e violentadas pelo aparelho repressivo do Estado. A decis
	ão do sistema de justiça sobre este caso não pode continuar a reproduzir a
	 impunidade da violência policial contra pessoas racializadas.</p><p>Por t
	udo isto, cá estaremos – vigilantes, atentes – com Cláudia Simões, por tod
	es nós!</p><p>Justiça para Cláudia Simões e para todes es sobreviventes da
	 violência policial!</p>
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