Manifestação - Já não dá mais para viver assim!
Estamos há anos a ser esmifrados pelo aumento dos preços da habitação e do custo de vida. Vivemos a trabalhar e esgotamo-nos para fazer o salário esticar até ao final do mês, para enfrentar o preço dos combustíveis que aumentam, despesas básicas e para não perder a casa. Só nos sobram dívidas e preocupações, enquanto se esgota a possibilidade de um futuro melhor.
Vemos o Governo a prometer a descida dos preços mas continua tudo a ficar mais caro. Anunciam aumentos de salários, mas nós perdemos poder de compra. Somos obrigados a cortar em tudo, a viver com o mínimo, vulneráveis a qualquer despesa imprevisível e sem esperança de que a vida melhore. Nós, que não temos culpa, pagamos a crise das guerras dos outros. Vemos o custo dos alimentos, da gasolina, da energia, da prestação da casa e da renda aumentar enquanto o salário não aumenta.
Ao mesmo tempo, os bancos, as grandes distribuidoras e o setor energético registam lucros recorde à nossa conta. Só no primeiro semestre de 2026, a Sonae, dona do Continente, registou receitas recorde de 5,6 mil milhões de euros. A Jerónimo Martins, dona do Pingo Doce, apresentou um aumento de vendas num total de 2,7 mil milhões de euros. O Milenium BCP apresentou um resultado líquido de 565,8 milhões de euros e a Galp um lucro de 821 milhões de euros. Dizem-nos que precisamos de trabalhar mais, que somos pobres porque queremos. Mas como é que essas empresas de bens de consumo conseguem ter tantos lucros enquanto as nossas contas do supermercado aumentam? Não há algo de errado quando supermercados e bancos registam milhões em lucros enquanto nós nos afundamos em dívidas?
Não dá mais para viver assim!
Esta política rouba-nos o futuro e asfixia-nos o presente. Não pagamos mais esta crise, não pagamos mais os lucros recorde de uma mão cheia de empresas, não aguentamos mais ser esmifrados e não compactuamos com um Governo que não age para proteger quem faz o país andar para a frente. Queremos que quem governa, olhe pela população de uma vez por todas, e pare de atacar os nossos direitos e a nossa carteira.
Não desistimos de uma vida melhor. Não desistimos de uma vida que seja possível pagar. Queremos que:
1. Controlem os preços dos bens essenciais e dos combustíveis
Os preços dos combustíveis e dos bens essenciais sobem com a guerra e com a falta de ação do Governo para proteger quem trabalha. O que pagamos a mais vai parar ao bolso de algumas grandes empresas. Nas regiões autónomas e em países da União Europeia, o controlo de preços protege os consumidores. No resto do país, só falta vontade política.
2. Ponham os lucros extraordinários a pagar a crise
Os preços aumentam em sintonia com os lucros da banca, da distribuição e do setor energético. Se há quem ganhe milhões com a crise, são esses milhões que a têm que pagar. Um imposto sobre os lucros extraordinários destas grandes empresas pode financiar medidas de alívio a quem vive do seu trabalho.
3. Ponham fim à crise de habitação
O mercado de habitação está a servir os interesses da especulação e do turismo desenfreado. As casas já não servem para as pessoas. As rendas e as prestações aumentam e o Governo continua a aplicar medidas para que os preços subam. Precisamos de tectos às rendas e limites ao aumento das prestações, de mais habitação pública e do fim dos benefícios fiscais para especulação financeira.
Conter o aumento do custo de vida é essencial. É impossível viver num país onde a renda consome metade do salário e a outra metade é gasta em bens essenciais.
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