QRAVO: F(R)ICÇŐES A(R)TIVISTAS - exposição artística & ato político
QRAVO APRESENTA: F(R)ICÇŐES A(R)TIVISTAS
exposição artística & ato político
de 01/04 a 18/04 no @espacosantacatarina
FERVINHO ESPECIAL DE ABERTURA DIA 01/04 às 18h. Mais infos loguíssimo.
Curadoria @gustrav4 & @qravo.coletivo
GRATUITA e 100% independente, sem financiamento público nem privado. Quem financia é VOCÊ, doando pro nosso crowdfunding
TEXTO CURATORIAL:
Na conferência de imprensa da Berlinale 2026, o cineasta alemão Wim Wenders, para desviar de uma pergunta sobre a falta de posicionamento em relação ao genocídio perpetrado pela ocupação israelense em território Palestino, recorreu a um truque europeu clássico: a separação dualista. “Temos de nos manter fora da política, porque se fizermos filmes políticos então entramos no campo da política”, disse ele. “O cinema é o contrapeso da política. O nosso é o trabalho do povo, não é o dos políticos.”
Essa exposição artística, que também é um ato político, é uma resposta à Wim Wenders — e a todos os outros agentes da binarização euro colonial, a principal estratégia de manutenção do status quo capitalista. É uma resposta a toda estrutura do pensamento ocidental que historicamente nos fez acreditar em tantas setorizações forçadas, fronteiras arbitrárias e binarismos mutuamente excludentes: seja entre arte e política, artista e cidadão, ética e estética, cultura e natureza, “popular” e “erudito”, objetivo e subjetivo, corpo e intelecto, tradição e vanguarda, masculino e feminino, consenso e dissenso, parcial e imparcial, representação e agência, produto e processo, rua e galeria, eu e outre.
A(r)tivismo é um termo de legitimidade frágil, tanto no campo da arte como nas ciências sociais — e é justamente por isso que esta exposição o aciona. Nosso objetivo não é buscar a aprovação de um campo ou de outro, e sim questionar os critérios legitimadores de ambos. Apresentamos aqui o trabalho de artistas E ativistas locais e internacionais, que nos ajudam a questionar a armadilha binária que oportunisticamente propagandizam a despolitização da arte. Cada obra artivista denuncia e/ou parodia e/ou inverte e/ou revela e/ou (re)inventa uma posição política.