17 Anos a Bolinar
São 17 anos a bolinar, a navegar à vela contra a direcção do vento. A tentar juntar forças, fraquezas e vontades a contra-corrente da cultura dominante. Alguém disse «cultura»?! Que palavrão!
Um paraíso na Lisboa esvaziada? Uma aldeia de gauleses resistentes? Nada disso: por aqui cometem-se pecados nada originais e ainda não sabemos a receita da poção mágica. Às vezes repetem-se erros, vivem-se contradições e ilusões, fazem-se esforços inglórios e até há quem se canse. Pairam sempre muitas dúvidas. O que fazer? E como? Valerá a pena?
Continuamos na Achada a achar que sim, que vale.
São 𝟭𝟳 𝗮𝗻𝗼𝘀 a divulgar a obra de Mário Dionísio e a trabalhar no seu arquivo e da sua mulher, Maria Letícia, a ler e a editar o que escreveu, a mostrar o que pintou, a saber das lutas que travou antes e depois da revolução.
𝟭𝟳 𝗮𝗻𝗼𝘀 a intervir no bairro, na cidade, no país, no mundo. Sem baixar os braços.
𝟭𝟳 𝗮𝗻𝗼𝘀 a pensar que a «cultura» não pode ficar sempre para depois, ou corremos o sério risco de sermos comidos pela estupidificação, o individualismo, a cultura «gastronómica» e o entretenimento obediente («não penses, come e cala»). Em tempos de guerras e autoritarismos, isso não parece nada recomendável.
𝟭𝟳 𝗮𝗻𝗼𝘀 a pôr as mãos na massa, para aprendermos uns com os outros e com a resistência dos materiais. E, nesse passo, convidando todos a fabricar coisas e ideias novas. Para viver melhor, já.
𝟭𝟳 𝗮𝗻𝗼𝘀 a descobrir coisas antigas, também: a procurar, encontrar e escolher, porque há um trabalho a fazer sobre a memória (e a história) que pode ser útil para mudar a vida, agora.
𝟭𝟳 𝗮𝗻𝗼𝘀 a perceber que as artes podem ser qualquer coisa de decisivo e não meramente decorativo nas nossas vidas.
𝟭𝟳 𝗮𝗻𝗼𝘀 a aprender a toda a hora e em todos os sentidos, não só com os «sabedores», mas com o que cada pessoa traz. Com o que temos pra nos dar.