|| CINEMANAMULA || As Portas Que Abril Abriu

CINEMANAMULA || As Portas Que Abril Abriu

AS PORTAS QUE ABRIL ABRIU

14 Abril a 1 Maio 2026

Uma data é uma data é uma data. Fossem sempre aniversários, fossem sempre todos os dias abril. Fossem todos os dias para impedir a exploração laboral — ABAIXO O PACOTE LABORAL! — e a regressão nos direitos fundamentais e de autodeterminação — ABAIXO A NOVA LEI QUE LIMITA O DIREITO DE CADA UM SER QUEM QUER! A censura começa nos pequenos detalhes: no silêncio, no corte discreto, no “lápis azul” que quase não se vê, no saneamento de pessoas…. As revoluções também começam nos pequenos detalhes — no que fazemos no dia a dia, no que decidimos não compactuar. Honremos quem lutou contra o fascismo, quem abriu caminho ao 25 de Abril, quem ousou sonhar o PREC. O programa do Cinemanamula de abril abre o diálogo a esses tempos — ao antes e ao que se seguiu. Mais do que isso, dialoga com os tempos que vivemos: a dificuldade no acesso à habitação, aos bens essenciais, à fruição cultural, ao direito de autodeterminação. Porque quando sentimos o peso da censura e da injustiça,não basta reconhecer — é preciso sair à rua e fazer-se ouvir.

> Terça, 14 abril | 21H

MULHERES, TERRA, REVOLUÇÃO
Rita Calvário e Cecília Honório
Documentário, 2025, 58’

C/ presença de Rita Calvário para conversa no final e apresentação do livro.  

“Mulheres, Terra, Revolução” é um documentário que dá voz às mulheres rurais que desempenharam um papel fundamental — embora muitas vezes invisibilizado — no contexto da transformação social em Portugal.

Através de testemunhos de agricultoras, cooperativistas e jornalistas, o filme revela histórias de resistência, luta pela emancipação e participação ativa na construção de poder popular. Entre o quotidiano no campo e o impulso revolucionário, emerge o retrato de um tempo em que falar e agir representavam, para muitas mulheres, um verdadeiro ato de coragem e mudança.

> Quinta, 16 abril | 21h

MEMÓRIAS DO 25 DE ABRIL, 50 ANOS DA REVOLUÇÃO DOS CRAVOS

Carlos Pronzato

Documentário, 2024,88’

c/ presença do realizador 

“Memórias do 25 de Abril, 50 anos da revolução dos Cravos” é um documentário que revisita a Revolução dos Cravos através de testemunhos de protagonistas diretos e de especialistas. A partir de entrevistas a militares, historiadores, políticos e investigadores, o filme reconstrói os acontecimentos do dia 25 de abril de 1974 e analisa o impacto da revolução que pôs fim à ditadura em Portugal.

Ao longo da narrativa, são exploradas as motivações, os momentos decisivos e as consequências do processo revolucionário, incluindo o Processo Revolucionário em Curso (PREC), período de intensa mobilização popular e transformação social. Com uma abordagem plural e reflexiva, o documentário oferece um retrato abrangente de um dos episódios mais marcantes da história contemporânea europeia.

Donativo recomendado 

> Terça, 21 abril | 21h

PAREDES PINTADAS DA REVOLUÇÃO PORTUGUESA 

António Campos

Experimental, 1976, 8’


No seguimento da Revolução de 25 de Abril de 1974, as paredes e muros da cidade de Lisboa tornaram-se um meio para celebrar e transmitir os ideais e palavras de ordem revolucionárias. 

O texto do pintor António Domingues exalta esta obra iniciada pela Célula dos Artistas Plásticos do Partido Comunista Português.


Cópia digitalizada pela Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência. Medida integrada no programa Next Generation EU.

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LIBERDADE PARA JOSÉ DIOGO 

Luís Galvão Teles

Documentário, 1975, 67’

Realizado por Luís Galvão Teles no âmbito da cooperativa Cinequanon, é um testemunho do espírito da luta de classes da época e um dos documentários mais controversos do cinema português. 

Testemunho do espírito da luta de classes da época, segue o caso do operário agrícola alentejano de 36 anos, José Diogo, que, a 30 de setembro de 1974, matou o latifundiário Columbano Líbano Monteiro, para quem trabalhara como tratorista. Preso em Beja, José Diogo foi posteriormente absolvido num julgamento popular. Emergiu como um dos filmes mais controversos do cinema português, produzido durante o período do PREC (Processo Revolucionário Em Curso). A televisão nacional pública, que co-produziu a obra, suspendeu a sua emissão porque sendo de esquerda, foi considerada uma obra ideologicamente sectária e perigosamente tendenciosa no delicado processo em curso pós-25 de Abril.

> Terça, dia 28 Abril | 21h 

SEMPRE

Luciana Fina 

Documentário, 2024, 108’

c/ presença da realizadora

Sempre, de Luciana Fina, revisita, cinquenta anos depois, as imagens e os acontecimentos da Revolução dos Cravos, propondo uma reflexão sobre a transição do fascismo para a liberdade e a construção de um novo país.

Num gesto cinematográfico e político, o filme percorre momentos-chave da história recente portuguesa — desde a repressão do salazarismo e da PIDE, passando pelas lutas estudantis de 1969 e pelo Movimento das Forças Armadas, até às transformações profundas do Processo Revolucionário em Curso, incluindo o “Verão Quente” e a descolonização.

Ao mesmo tempo homenagem e reinterpretação, “Sempre” celebra o cinema como força ativa na história, recuperando a energia, os sonhos e as possibilidades abertas por um dos períodos mais intensos da vida coletiva em Portugal.


> Sexta, dia 1 Maio 

20h 

Jantar Comunitário 

21h30

O Estado A Que Isto Chegou 

Letícia do Carmo

Experimental, 2024, 6’

Uma deriva nocturna que tropeça nas pedras da democracia portuguesa, regurgitando loucuras e absurdos alegres da clarividente política nacional. 

Filmado nas aldeias de Idanha-a-Velha e Monsanto, o texto explora um encadeamento de frases mencionadas por políticos e militares do PREC (Período Revolucionário em Curso, no pós 25 de Abril de 1974), de tom situacionista (inspiradas nos slogans de Maio de 1968, em Guy Debord e no Les Situationnistes, e não nos ‘situacionistas’ que defendem a situação política existente).  São ainda mencionadas frases de políticos portugueses  de outros períodos da história recente portuguesa (Mário Soares, Catarina Martins,  Marcelo Rebelo de Sousa, Salgueiro Maia, Américo Tomás, Francisco de Sá Carneiro), e frases de textos de Jorge Luis Borges e Emithal Mahmoud.

Agosto 2024. Movimento – oficina colaborativa de cinema 


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AS DESVENTURAS DE DRÁCULA VON BARRETO NAS TERRAS DA REFORMA AGRÁRIA 

Célula de Cinema do PCP

Ficção, 1977, 7’

Ao som da música “A terra a quem a trabalha”, uma camponesa alentejana é atacada por um vampiro, sendo salva in extremis por operários e camponeses munidos de foices e martelos. Rodado durante a Festa do Avante de 1977, com um coletivo de participantes ligados ao cinema e ao teatro, este filme é uma mordaz crítica ao processo legislativo conduzido por António Barreto, Ministro da Agricultura entre 1976-1978, que pôs fim às ocupações da reforma agrária.


Cópia digitalizada pela Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência. Medida integrada no programa Next Generation EU.


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A LEI DA TERRA 

Colectivo Grupo Zero

Documentário, 1977, 67’

“A Lei da Terra” é um documentário que acompanha o processo da reforma agrária no Alentejo no contexto do Processo Revolucionário em Curso, após a Revolução dos Cravos.

Através de uma leitura centrada na luta de classes, o filme retrata a ocupação de terras por trabalhadores rurais e a tentativa de construir novas formas de organização do trabalho e da propriedade. Perante a resistência e sabotagem dos antigos proprietários, os camponeses organizam-se em sindicatos, cooperativas e unidades coletivas de produção, reivindicando emprego, salários dignos e o direito à terra.

Num cenário de confronto social e político, emerge o ideal revolucionário que atravessa o documentário — “a terra a quem a trabalha” — como expressão das profundas transformações e tensões vividas no mundo rural português durante este período.

Entrada livre // donativo recomendado 

Reservas para o jantar comunitário dia 1 Maio através do email coopmula@gmail.com

Reservas para jantar nas restantes sessões: https://www.instagram.com/cantinadamula/

Agradecimentos: Fado Filmes, Joana Sousa, Pedro Duarte, Movimento, Real Ficção, Solveig Nordlung, VIVA O PREC!

Apoio: Cinemateca Portuguesa, DINÂMIA'CET - Centro de Estudos sobre a Mudança Socioeconómica e o Território, Iscte – Instituto Universitário de Lisboa

🖼️ @ritacomedida

15 days ago
Cooperativa Mula
Largo Santo André, 3, 2830-238 Barreiro, Portugal