] CINEMANAMULA [ Para Além das Grades

Para Além das Grades  ~  cárcere, resistência e liberdade ~

[ 5 - 10 - 12 - 17 - 26 | 21h ]

[ 18 | 19.30h ]

[ 26 | 16h - 01h ]

Entrada Livre

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Para Além das Grades

~ cárcere, resistência e liberdade ~

O que é uma prisão? Onde começa? Tem um fim? É um edifício com celas, muros e arame farpado, ou um sistema que cerceia as nossas vidas e se infiltra nas instituições, nos territórios, nos corpos, nas memórias e nos sentidos de justiça? Entre panópticos, campos de detenção, bairros sociais e fronteiras militarizadas, o cárcere assume formas múltiplas e nem sempre visíveis, organizando a vida através da vigilância, do controlo, da espera e da exclusão.

Este ciclo propõe um olhar alargado sobre o confinamento, atravessando diferentes contextos históricos, políticos e geográficos. Da repressão política e social às prisões administrativas de migrantes, do hospital psiquiátrico aos dispositivos urbanos de segregação, os filmes mostram como a lógica carcerária ultrapassa o espaço físico da prisão e se torna um modo de gestão social, produzindo isolamento, silenciamento e vulnerabilidade.

Em resistência, emergem vozes, gestos e práticas que desafiam essa lógica: a memória, a escrita, a imagem, a performance, a organização coletiva. Entre documentário, ensaio, drama, animação e manifesto, Para Além das Grades reúne um conjunto de filmes que não exibem o cárcere, mas procuram pensar como ele opera,e como pode ser questionado e superado a partir das experiências concretas de quem o vive, o atravessa ou o enfrenta.

QUI 05.02 | 21h

Arquitetura Carcerária ~ espaço, imagem e controlo

Esta primeira sessão parte da prisão como forma explícita de reclusão, mas avança para outros dispositivos de controlo onde o cárcere se estende para além das grades e se infiltra nas instituições, nas imagens e no território urbano.

Entre vigilância, internamento psiquiátrico e segregação habitacional, os filmes propõem uma leitura alargada do cárcere como modo de organizar espaços, corpos e vidas.

I THOUGHT I WAS SEEING CONVICTS

Harun Farocki

2000 | DE | 25’’

Filme-ensaio, construído a partir de imagens de vigilância provenientes de sistemas de controlo carcerário. Câmaras fixas enquadram pátios, corredores e zonas de circulação onde os reclusos passam breves períodos sob observação permanente.

Em vários registos, confrontos entre prisioneiros são acompanhados à distância, enquanto os corpos aprendem a reagir antecipadamente à lógica do sistema — deitando-se no chão, imobilizando-se, tornando-se legíveis para a câmara. As imagens, silenciosas e repetitivas, revelam a proximidade entre o campo de visão da vigilância e o campo de ação armada: ver e intervir tornam-se gestos indissociáveis. O filme transforma o próprio dispositivo de vigilância numa leitura crítica da prisão, onde arquitectura, imagem e poder operam no mesmo plano.


JAIME 

António Reis (e Margarida Cordeiro)

1974 | PT | 35’

Obra de referência do novo cinema português e primeiro filme de António Reis — em colaboração não creditada com a psiquiatra Margarida Cordeiro —, a obra aproxima-se da vida e da criação de Jaime Fernandes, camponês da freguesia do Barco (Covilhã, Beira Baixa), diagnosticado com esquizofrenia paranóica aos 38 anos e internado no Hospital Miguel Bombarda, em Lisboa, onde viveria até à sua morte, em 1967, aos 69 anos.

É aos 65 anos que começa a desenhar e a pintar, produzindo, nos últimos três anos de vida, centenas de desenhos e textos, uma obra tardia e singular. Filmado no interior do próprio hospital, Jaime cruza o retrato de um homem com a presença material de um espaço de reclusão, incluindo a enfermaria-prisão panóptica, dispositivo arquitectónico de vigilância e controlo que faz do hospital não apenas um cenário, mas um elemento central na leitura política e espacial do filme.


ALTAS CIDADES DE OSSADAS

João Salaviza

2019 | PT | 18’

Karlon, nascido na Pedreira dos Húngaros e pioneiro do rap crioulo, fugiu do bairro onde foi realojado. Noites de vigília, sob um febril calor tropical. Entre as canas de açúcar, um rumor. Karlon não parou de cantar. Altas Cidades de Ossadas é um tateio inquisitivo e imaginativo às suas memórias, ao cerco institucional, e às histórias submersas de um tempo sombrio.

Inserido nesta sessão, o filme permite alargar a reflexão sobre a arquitectura da reclusão ao plano urbano, onde os bairros sociais surgem como dispositivos de reorganização e delimitação das populações, operando formas de confinamento e segregação fora do sistema prisional, mas igualmente estruturadas pelo espaço e pelas políticas de controlo territorial.


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TER 10.02 | 21h

Dimensões do Cárcere ~ campos de detenção, zonas de espera, territórios suspensos

A noção de cárcere é aqui deslocada para fora dos espaços institucionais clássicos, explorando formas contemporâneas de reclusão sem muros fixos: campos de refugiados, centros de detenção administrativa e fronteiras militarizadas. Aqui, o cárcere deixa de ser apenas um edifício e passa a ser uma condição política e espacial que organiza a vida de populações inteiras em estado de exceção permanente.

A fronteira surge como prisão móvel, onde estatutos legais precários, checkpoints, perfis raciais e regimes de circulação produzem zonas de espera prolongada, suspendendo o tempo e transformando a mobilidade num privilégio. Estas formas de controlo estão profundamente ligadas a histórias de colonialismo, expropriação e ocupação, que continuam a estruturar desigualdades no presente.

Os filmes desta sessão atravessam diferentes geografias para pensar o cárcere como um dispositivo expandido e difuso. Entre testemunho, ensaio e performance, emergem também gestos de resistência simbólica, onde a voz, a memória e a imaginação se afirmam como formas de desobediência face a regimes de vigilância, exclusão e apagamento.


VIDEOMAPPINGS: Aida, Palestine

Till Roeskens

2009 | FR | 46’


No ecrã, vemos outro ecrã, e é isso. Gradualmente começa a encher-se: primeiro uma árvore, uma doce memória de uma vida com azeite da cor do ouro. Depois surgem esboços rudimentares na superfície branca. A primeira tenda do campo de refugiados de Aida foi montada pela família de Sabha Kader Abusrour em 1956. Ao falar sobre este campo perto de Belém, a sua voz é tão raivosa quanto o seu desenho é infantil. Este é o lugar que milhares de palestinianos deslocados agora chamam de casa. Eles perderam tudo. Não os vemos, mas apenas ouvimos as suas vozes e o som da caneta de feltro que estão a usar na tentativa de desenhar a sua existência. O segundo desenho representa um mapa dos arredores do campo, tal como vivido por Mahmoud Issa. Ele enfrentou o arame farpado e as patrulhas para uma excursão romântica para ver uma rapariga do outro lado da fronteira. Mas a sua viagem a Barsheeba resultou num encontro muito diferente daquele que esperava. Perto do posto de controle, um soldado israelita disparou contra ele e falhou. Os dois jovens conversaram durante horas, ali numa terra de ninguém, invisíveis e momentaneamente livres do peso da história.


LIMBO

G. Hofer e M. Calore​​​​​​​

2014 | IT | 56'

Documentário sobre migrantes detidos em centros de detenção e expulsão italianos (C.I.E.), que acompanha o impacto dessa reclusão nas suas vidas e nas das suas famílias. Pessoas com as suas vidas já bem estabelecidas fora do seu país de origem são subitamente detidas por irregularidades administrativas, entrando num regime de prisão sem prazo definido.

Entre a incerteza, a espera e o risco permanente de deportação, o filme acompanha as consequências desta suspensão forçada: separações familiares, precariedade económica e a perda de qualquer horizonte de estabilidade, num sistema onde o tempo se transforma num instrumento de controlo.

A DECLARATION OF POETIC DISOBEDIENCE FROM THE NEW BORDER 

Guillermo Gómez-Peña, Gustavo Vazquez
2005 | EUA | 15' 

Filme-ensaio performativo que articula voz, corpo e discurso para interrogar a fronteira como espaço de exclusão, controlo e violência histórica. A partir de referências a diferentes territórios — da Faixa de Gaza às fronteiras dos Estados Unidos — o filme convoca as experiências de deslocamento, colonialismo e racismo estrutural como formas de confinamento sem muros, onde populações inteiras vivem sob regimes permanentes de vigilância, espera e precariedade legal.

Inserido nesta sessão, o filme desloca a noção de cárcere para o campo geopolítico, onde a fronteira surge como dispositivo contemporâneo de detenção, produzindo sujeitos suspensos entre territórios, direitos e identidades, e onde a resistência se manifesta sobretudo como gesto simbólico, poético e político.


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QUI 12.02 | 21h

CÁRCERE SOMBRA ~ repressão, memória e resistência

O cárcere como instrumento directo de repressão política, onde a prisão é ferramenta de controle, tortura e opressão da dissidência. Em contextos autoritários, o encarceramento torna-se um mecanismo central de controlo social, operando tanto sobre os corpos dos detidos como sobre as suas redes afetivas, produzindo medo, silêncio e apagamento histórico.

A partir de arquivos da polícia política portuguesa e de imagens clandestinas realizadas dentro de uma prisão brasileira, os filmes revelam diferentes formas de violência institucional: a vigilância sistemática, a tortura, o desaparecimento, mas também a greve de fome, a auto-organização e a luta pela memória. O cárcere surge aqui como espaço de tentativa de anulação política, mas também como lugar de resistência, onde a imagem se torna prova, gesto de denúncia e ferramenta de sobrevivência coletiva.

Mais do que reconstruir factos, estes filmes confrontam o presente com as marcas persistentes da repressão, mostrando como os regimes autoritários continuam a operar na memória, nas famílias e nas estruturas de poder, mesmo depois do fim formal das ditaduras.


LUZ OBSCURA

Susana de Sousa Dias

2017 | PT | 77'

Que rede familiar se esconde por detrás de um único preso político? Como dar corpo a quem desapareceu sem nunca ter tido existência histórica? Partindo de fotografias da polícia política portuguesa (1926-1974), o filme procura revelar como um sistema autoritário opera na intimidade familiar, fazendo emergir, simultaneamente, zonas de recalcamento actuantes no presente.


ÁGUA, AÇÚCAR E SAL

Coletivo de Presos Políticos do Presídio Frei Caneca

1979 | BR | 15'

Em agosto de 1979, momento em que o debate público se voltava para a formulação da Lei da Amnistia no Brasil, "Água, açúcar e sal" foi filmado clandestinamente dentro do presídio Frei Caneca, no Rio de Janeiro, para registar a greve de fome de 14 presos políticos, que durou 32 dias. Os presos pretendiam mobilizar a opinião pública e chamar a atenção sobre a importância da ampliação da Lei da Amnistia. 

O filme foi realizado pelo Coletivo de Presos Políticos do Presídio Frei Caneca. Na ficha catalográfica do filme original, guardado no Arquivo Nacional, a direção é atribuída a Paulo Jabur, Nelson Rodrigues Jr, Noilton Nunes e Rubens Corveto. 


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TER 17.02 | 21h

CONFIGURAÇÕES DE GÉNERO ~ prisão, desigualdade e afectos

Trazemos para o centro as experiências de mulheres, mães e filhas que tiveram as suas vidas impactadas pela prisão. É a prisão diferente para as mulheres?. Mais do que um espaço neutro de punição, o cárcere surge aqui como dispositivo que amplifica desigualdades sociais, morais e afetivas, inscrevendo-se de forma particular nos corpos e nas trajetórias femininas.

Entre o documentário televisivo, a ficção e o cinema autogerido, os filmes revelam como a reclusão atravessa histórias de vida marcadas por violência estrutural, exclusão social, maternidade interrompida e estigmatização. A prisão aparece tanto como lugar de confinamento físico como de julgamento moral, onde se cruzam expectativas normativas sobre o que significa ser mulher, mãe, cuidadora ou sujeito desejável dentro da ordem social.

Ao deslocar o olhar para dentro das experiências íntimas e relacionais, estes filmes mostram que o cárcere não se limita às paredes da instituição, prolongando-se nas famílias, nos vínculos afetivos e nas formas de existir no mundo. 


UMA ALZIRA COMO TANTAS OUTRAS

Antónia de Sousa, Maria Antónia Palla, Cinequipa

Série Nome Mulher | 1976 | RTP1 | 40' 

Documentário sobre o percurso de vida de Alzira, reclusa no Estabelecimento Prisional de Tires, e sobre o meio familiar, social e cultural em que cresceu, após condenação pela morte do filho. 


OS PRISIONEIROS

Margarida Madeira

2014 | PT | 07'16''

Ivo vive agora fora, mas gostaria de estar lá dentro, onde estão a mãe e o irmão mais novo. O Sérgio viveu lá dentro, mas a irmã estava lá fora. A casa é dentro ou fora destas paredes? E a liberdade? De que lado está a liberdade?

A curta-metragem Os Prisioneiros é uma adaptação e interpretação do livro As Prisioneiras - Mães atrás das grades de Isabel Nery. 


ANTI MULLERES. EXISTIR MAL
Beatriz Saiáns
2015 | Galiza | 24’

Documentário autogerido que dá voz a várias mulheres do norte de Espanha, partilhando como a experiência da prisão as afeta. Entre histórias de maternidade, estigmatização e desigualdade estrutural, o filme mostra como a reclusão amplifica diferenças sociais e de género, atravessando não apenas os corpos das detidas, mas também as suas redes afetivas e relações familiares.


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QUA 18.02 | 19h30

CARTAS INSUBMISSAS ~ escrita, voz e resistência

Esta noite propõe um encontro entre  leitura e cinema como formas complementares de escuta, partilha e resistência. Em parceria com o coletivo Vozes de Dentro e o Clube de Leitura Crítica Marginal, o programa parte de cartas escritas por pessoas em situação de reclusão, reunidas na zine Cartas Insubmissas, para pensar a escrita como gesto político, ferramenta de denúncia e tentativa de romper o isolamento imposto pelo sistema prisional.

As cartas dão acesso a uma dimensão raramente visível do cárcere: a experiência subjetiva de quem vive entre grades, marcada pela distância forçada, pela violência institucional, pela fragilidade dos laços familiares e pela luta quotidiana para manter alguma forma de dignidade e presença no mundo. Escrever torna-se, aqui, uma forma de existir para lá da condição de detido, de reclamar voz num espaço construído para o silenciamento.

O filme A Mala inscreve-se neste gesto, prolongando no campo do cinema aquilo que as cartas já fazem na palavra escrita: tornar sensível a dimensão afetiva e política da prisão, onde a reclusão não se limita ao corpo, mas se estende às relações, ao tempo e à própria possibilidade de futuro.


Clube de Leitura Crítica Marginal 

Cartas Insubmissas ~ Vozes de Dentro 

A MALA ​​​​​
Sara Williams
2023 | PT | 8'

Através de uma carta escrita em 2022 por uma mulher presidiária em Portugal, incluída na zine ‘’Cartas Insubmissas’’ do colectivo Vozes de Dentro, viajamos entre o universo desesperante da pressão psicológica de quem pretende salvar um filho e encontra, nessa tentativa, castigo da privação de liberdade e afastamento total da sua família.

* Vozes de Dentro é um colectivo ligado às lutas das pessoas reclusas e das suas famílias, composto por pessoas presas e pessoas de fora dos muros que as acompanham e apoiam.


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QUI 26.02 | 21h

PROTAGONISTAS DA PRÓPRIA HISTÓRIA ~ memória, voz e invenção

A experiência do cárcere não se limita ao corpo ou ao espaço físico; ela tende a apagar memórias, silenciar vozes e homogeneizar identidades. Esta sessão coloca em foco o poder de quem retoma a própria história, transformando memória em ação e voz em criação. Ao reivindicar o direito de nomear, imaginar e reinventar a própria experiência, emerge um gesto coletivo de resistência que desafia o apagamento e afirma a diversidade das identidades. Trata-se de um olhar sobre a prisão que não apenas mostra confinamento, mas evidencia como memória, expressão e invenção se tornam instrumentos de empoderamento e afirmação pessoal e social.

REAS

Lola Arias

2024 |  AR | 82’

Quando Lola Arias imaginou este filme, o seu plano era criar uma grande produção artística com as reclusas da prisão de Buenos Aires. Entretanto, com o surgimento da pandemia, as visitas à prisão tornaram-se impossíveis e a realizadora teve de mudar de plano. Eis, então, que surge Reas: uma mistura do documentário com o musical, em que ex-presidiárias, cis e trans, reencenam a sua vida na prisão através das suas memórias e imaginaram um futuro para as suas vidas, num trabalho colectivo interartístico marcado pela multiplicidade de identidades.


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Sab 28.02 | 16h

CAMINHOS PARA A LIBERDADE 

Mais do que denunciar as violências do sistema prisional, este momento propõe repensar a pergunta fundamental: e se a prisão não fosse inevitável? A partir de perspetivas abolicionistas, críticas e coletivas, abre-se um espaço para imaginar outras formas de justiça, cuidado e convivência, onde a liberdade deixa de ser exceção e passa a ser horizonte político.

O filme e a conversa convidam a pensar a prisão não como destino, mas como construção histórica — e, por isso mesmo, passível de ser transformada e superada.


REJAS, SUSPIROS y LLAVES. Un documental abolicionista penal
Ezequiel Altamirano e Maximiliano Postay
2014 | AR | 68''

Documentário que propõe uma reflexão radical sobre a possibilidade de um mundo sem prisões e sem sistema penal. A partir de uma perspetiva explicitamente abolicionista, o filme reúne testemunhos de pessoas diretamente ligadas à realidade carcerária — reclusos, ex-reclusos, familiares, ativistas e investigadores — para questionar a função social da prisão e os seus efeitos sobre os corpos, as comunidades e as formas de vida.

Sem recorrer a eufemismos nem a discursos conciliatórios, o filme assume uma posição crítica clara, deslocando o debate do campo da reforma para o da imaginação política, onde a prisão deixa de ser pensada como inevitável e passa a ser interrogada como construção histórica, ideológica e passível de desaparecimento.

| 17h30 

Conversa com o colectivo Vozes de Dentro

| 20h 

Jantar benefit para vozes de dentro

+Info instagram: @cinemanamula

O projeto cinemanamula existe desde 2023 e tem vindo a apresentar programas temáticos, conversas e debates com cineastas, bem como um trabalho curatorial continuado, com um caráter crítico e experimental, sempre fora dos circuitos comerciais.

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Vozes de Dentro é um colectivo ligado às lutas das pessoas reclusas e das suas famílias, composto por pessoas presas e pessoas de fora dos muros que as acompanham e apoiam.

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in 2 days
Cooperativa Mula
Largo Santo André, 3, 2830-238 Barreiro, Portugal