III Marxa Cabral
Sob o mote: “Em Defesa da Terra i pa Vida: Reconhecer, Reparar, Descolonizar”, a III Marxa Cabral propõe uma reflexão sobre a atualidade do pensamento de Amílcar Cabral perante a crise ecológica e a emergência climática.
Inspirada no seu pensamento científico e político sobre a terra, da denúncia da erosão dos solos em Kabuverdi, à investigação desenvolvida em Angola, ao trabalho junto das comunidades rurais da Guiné-Bissau e à solidariedade com os trabalhadores rurais do Alentejo, esta edição parte da convicção de que a luta contra o racismo, o colonialismo e todas as formas de opressão não pode ser separada da luta pela Terra e pela Vida, por integrarem o mesmo projeto de libertação total.
A III Marxa devolve ao espaço público português a agenda panafricanista das reparações, afirmando-a como um programa radical de abolição, de desordem absoluta da ordem colonial e de construção de uma sociedade nova, num momento em que Portugal optou por se abster na votação da Assembleia-Geral das Nações Unidas que reconheceu a Escravatura e o tráfico transatlântico de africanos escravizados como o mais grave crime contra a humanidade. Recusamos circunscrever a reparação à mera restituição simbólica ou compensação financeira, assim como recusamos que seja feita à custa dos trabalhadores e das classes populares. A sua definição e condução devem caber, antes de tudo, aos povos historicamente lesados.
Nu djunta-mô em Defesa da Terra e pa Vida